Ressignificação do TEPT a partir da clínica psicodinâmica do trabalho
PDF

Palabras clave

ressignificação
TEPT
clínica psicodinâmica do trabalho.

Cómo citar

Gomes Souza, R., & Mendes, A. M. (2016). Ressignificação do TEPT a partir da clínica psicodinâmica do trabalho. Revista Guillermo De Ockham, 14(2), 73–82. https://doi.org/10.21500/22563202.2424

Resumen

As exigências da gestão neoliberal globalizante atual precarizam as relações de trabalho, diminuem os direitos trabalhistas, negam a cidadania e são fontes de sofrimentos e doenças no trabalho como depressão, burnout, estresse, sobretudo o Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). O objetivo desse ensaio teórico é apresentar a perspectiva da clínica psicodinâmica do trabalho como possível solução dos trabalhadores ressignificarem o sofrimento patogênico do TEPT. O método da clínica psicodinâmica do trabalho consiste no processo de fala e escuta do sofrimento no trabalho. Para tal, é preciso conhecer o contexto e a organização do trabalho no qual os sujeitos adoecidos estão e criar condições na relação do pesquisador-clínico com os trabalhadores adoecidos para ressignifcarem o sofrimento causado pelo TEPT no trabalho, em diferentes etapas. Conclui-se que, uma vez que se reconhece o potencial sofrimento do TEPT no contexto laboral, a Psicologia do Trabalho precisa desenvolver novas alternativas éticas e políticas de intervenção que crie condições para os trabalhadores adoecidos vivenciarem situações de prazer e saúde no trabalho, tal é a proposta da clínica psicodinâmica do trabalho. Novos resultados estão em processo de desenvolvimento no Clinical Psychodynamic of Work Lab. at  University of Brasília para fortalecimento dessa perspectiva. 

https://doi.org/10.21500/22563202.2424
PDF

Citas

Alves, G. (2011). Trabalho flexível, vida reduzida e precarização do homem-que-trabalha: perspectivas do capitalismo global no século XXI. In: Vizzaccaro-Amaral, A. L., Mota, D. P. & Alves, G. (Orgs). Trabalho e saúde: a precarização do trabalho e a saúde do trabalhador no século XXI. São Paulo: LTR. Retirado de: http://www.proceedings.scielo.br/pdf/sst/n8/02.pdf

American Psychiatry Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders - DSM-5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association.

Aquino, C. A. B. (2008). O Processo de precarização laboral e a produção subjetiva: um olhar desde a psicologia social. O Público e o Privado, (Vol. 11), 169-178. Retirado de:http://seer.uece.br/?journal=opublicoeoprivado&page=article&op=view&path[]=140&path[]=211

Araújo, A. C. & Lotufo-Neto, F. (2014). A Nova Classificação Americana Para os Transtornos Mentais – o DSM-5. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 16 (1), 67-82. DOI: ISSN 1982-3541.

Associação Americana de Psiquiatria –APA (2002). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (4ª. Ed.). Porto Alegre: Artmed.

Bendassolli, P. F. & Soboll, L. A. P. (2011). Clínica do trabalho. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 14(1), 59-72.

Berninger, A., Webber, M. P., Cohen, H. W., Gustave, J., Lee, R., Niles, J. K., … Prezant, D. J. (2010). Trends of elevated PTSD risk in firefighters exposed to the World Trade Center disaster: 2001-2005. Public Health Reports, 125, 556-566.

Bucasio, E., Vieira, I., Berger, W., Martins, D., Souza, C., Maia, D., ... Jardim, S. (2005). Transtorno de estresse pós-traumático como acidente de trabalho em um bancário: relato de um caso. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, (Vol. 27), 86-89.

Buodo, G., Ghisi, M., Novara, C., Scozzari, S., Di Natale, A., Sanavio, E., Palomba, D. (2011). Assessment of cognitive functions in individuals with post-traumatic symptoms after work-related accidents. Journal of Anxiety Disorders, (Vol. 25), 64-70. DOI: 10.1016/j.janxdis.2010.08.004.

Câmara-Filho, J. W. S. & Sougey, E. B. (2001). Transtorno de estresse pós-traumático: formulação diagnóstica e questões sobre comorbidade. Revista Brasileira de Psiquiatria, 23(4), 221-228.

Castel, R. (2009). La montée des incertitudes: travail, protections, statut de l’individu. Paris: Seuil.

Dejours, C. (2008). A metodologia em psicopatologia do trabalho. In S. Lancman, L. Sznelwar (Orgs.) Christophe Dejours: da psicopatologia à psicodinâmica do trabalho. (2ªed., PP. 107-128). Rio de Janeiro: Fio-cruz/Brasília: Paralelo 15.

Dejours, C. (2013). A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. (5ª ed. ampliada/15ª reimpressão). São Paulo: Cortez.

Druck, G. (2011). Trabalho, precarização e resistências: novos e velhos desafios?. Caderno CRH, 24 (1), 155-170. Retirado de: http://www.scielo.br/pdf/ccrh/v24nspe1/a04v24nspe1.pdf

Facas, E. (2013). Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais no Trabalho - Contribuições da Psicodinâmica do Trabalho. Tese de doutorado do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília – DF.

Faria, H. X. & Dalbello-Araujo, M. (2011). Precarização do trabalho e processo produtivo do cuidado. Mediações, 16 (1), 142-156.

Fernandes, R. C. P. (2011). Precarização do trabalho e os distúrbios musculoesqueléticos. Caderno CRH, 24 (1), 155-170.

Franco, T., Druck, G. & Seligmann-Silva, E. (2010). As novas relações de trabalho, o desgaste mental do trabalhador e os transtornos mentais no trabalho precarizado. Saúde Ocupacional, 35 (122), 229-248.

Ghizone, L. D. & Mendes, A. M. (2014). Dispositivos para uma escuta clínica do sofrimento no trabalho dos catadores de materiais recicláveis. Contextos Clínicos, 7 (1), 15-26.

Guimarães, J. M. X., Jorge, M. S. B. & Assis, M. M. A. (2011). (In)satisfação com o trabalho em saúde mental: um estudo em Centros de Atenção Psicossocial. Ciência e Saúde Coletiva, 16 (4), 2145-2154.

Heloani, R. & Lancman, S. (2004). Psicodinâmica do trabalho: o método clínico de intervenção e investigação. Produção, 14 (3), 77-86.

Hirata, H. (2011). Tendências recentes da precarização social e do Trabalho: Brasil, França, Japão. Caderno CRH, 24 (1), 15-22.

Hobsbawm, E. J. (1995). A era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras.

Jilou, V. (2013). Capitalismo flexível, trabalho precarizado e sofrimento psíquico de professores universitários. Uberaba, 1 (1), 187-201.

Jorge, M. S. B., Guimarães, J. M. X., Nogueira, M. E. F., Moreira, T. M. M. & Morais, A. P. P. (2007). Gestão de recursos humanos nos centros de atenção psicossocial no contexto da política de desprecarização do trabalho no Sistema Único de Saúde. Texto Contexto Enfermagem, 16 (3), 417-425.

Junqueira, T. S., Cotta, R. M. M., Gomes, R. C., Silveira, S. F. R., Siqueira-Batista, R., Pinheiro, T. M. M. et al (2010). As relações laborais no âmbito da municipalização da gestão em saúde e os dilemas da relação expansão/precarização do trabalho no contexto do SUS. Saúde Pública, 26 (5), 918-928.

Knapp, P. & Caminha, R. M. (2003). Terapia cognitiva do transtorno de estresse pós-traumático. Revista Brasileira de Psiquiatria, 25(1), 31-36.

Lancman, S. & Jardim, T. A. (2004). O impacto da organização do trabalho na saúde mental: um estudo em psicodinâmica do trabalho. Terapia Ocupacional-USP, 15 (2), 82-89.

Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 (1991, 24 de julho). Dispõe sobre os Planos de benefícios da previdência social e dá outras providências. Diário Oficial da União. Retirado de: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8213cons.htm.

Louzada, R. S. M. L. & Oliveira, P. T. R. (2013). Reflexões sobre a metodologia de pesquisa em psicodinâmica do Trabalho. Revista Núcleo de Estudos Fenomenológicos [online], 5(1), 26-35. DOI: ISSN 2175-2591.

Martins, S. R. & Mendes, A. M. (2012). Espaço coletivo de discussão: a Clínica psicodinâmica do trabalho como ação de resistência. Psicologia: Organizações e Trabalho, 12(2), 171-184.

Medeiros, S. N. (2012). Clínica em psicodinâmica do trabalho com a unidade de operações aéreas do DETRAN: o prazer de voar e a arte de se manter vivo. Dissertação de Mestrado. Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília. Brasília – DF.

Mendes, A. M. & Duarte, F. S. (2013). Notas sobre o percurso teórico da psicodinâmica do trabalho. In L. G. Freitas (Org.). Prazer e sofrimento no trabalho docente. Curitiba: Juruá.

Mendes, A. M.& Araújo, L. K. R. (2011). Clínica psicodinâmica do trabalho : práticas brasileiras. Brasília, DF: Ex Libris.

Mendes, A. M.& Araújo, L. K. R. (2012). Os dispositivos clínicos para escuta qualificada (pp. 39-64). In Clínica psicodinâmica do trabalho : o sujeito em ação. Curitiba: Juruá.

Meshulam-Werebe, D., Andrade, M. G. O. & Delouya, D. (2003). Transtorno de estresse pós-traumático: o enfoque psicanalítico. Revista Brasileira de Psiquiatria, 25(1), 37-40. DOI: ISSN 1809-452X. Retirado de: http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462003000500009.

Ministério da Previdência Social (2014). Recuperado em 01 de março de 2015 de http://www.previdencia.gov.br/wp-content/uploads/2015/03/AEPS-2013-v.-26.02.pdf.

Moraes, P. R. S. (2008). Terceirização e precarização do trabalho humano. TST, 74 (4), 148-168.

Moreira, I. J. B. (2014). Prevalência de transtornos mentais comuns em trabalhadores da atenção primária à saúde e sua associação com fatores psicossociais do trabalho. Dissertação de Mestrado em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul – RS.

Ouimette, P., Read, J. P., Wade, M., & Tirone, V. (2010). Modeling associations between posttraumatic stress symptoms and substance use. Addictive Behaviors, (Vol. 35), 64-67. DOI: 10.1016/j.addbeh.2009.08.009.

Saltini, M. R., Vidal, A. G & Oliveira-Sobrinho, A. S. (2014). Políticas públicas de educação e precarização do trabalho em São Paulo: o abandono da profissão docente na Rede Pública Estadual. Trabalho e Educação, 23 (1), 99-117. Retirado de: http://www.portal.fae.ufmg.br/seer/index.php/trabedu/article/view/1395.

Schaefer, L. S., Lobo, B. O. M. & Kristensen, C. H. (2012). Transtorno de estresse pós-traumático decorrente de acidente de trabalho: implicações psicológicas, socioeconômicas e jurídicas. Estudos de Psicologia, 17(2), 329-336.

Soares, G. O. & Lima, M. S. (2003). Transtorno pós-traumático uma abordagem baseada em evidências. Revista Brasileira de Psiquiatria, 25(1), 62-67.

Stenger, E., Monteiro, M. I., Sabino, M. O., Miquilin, I. O. C. & Corrêa-Filho, H. R. (2014). Lean production e riscos psicossociais: o caso de uma fusão multinacional de grupo metalmecânico no Brasil. Saúde Pública, 30 (8), 1765-1776.

Stock, T. O., Barbosa, M. E. & Kristensen, C. H. (2014). Evidências de alterações neurais na terapia cognitivo-comportamental: uma revisão da literatura. Contextos Clínicos, 7 (1), 27-36. Retirado de: http://revistas.unisinos.br/index.php/contextosclinicos/article/view/ctc.2014.71.03.

Takahashi, M. A. B. C., Lacorte, L. E. C., Ceverny, G. C. O. & Vilela, R. A. G. (2012). Precarização do trabalho e risco de acidentes na construção civil: um estudo com base na Análise Coletiva do Trabalho (ACT). Saúde Social, 21 (4), 976-988.

Teixeira, M. C. (2012). A invisibilidade das doenças e acidentes do trabalho na sociedade atual. Rdissan, 13 (1), 102-131. Retirado de: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9044.v13i1p102-131

Vieira-Neto, O. (2004). Transtorno de Estresse Pós-Traumático em bancários vítimas de assalto ou seqüestro. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Psicologia e Fonoaudiologia da Universidade Metodista de São Paulo. São Bernardo do Campo – SP.

World Health Organization. (1998). Enciclopedia de salud y seguridad en el trabajo. Edición española. Ministerio de Trabajo y Asuntos Sociales. Retirado de: http://www.insht.es/InshtWeb/Contenidos/Documentacion/TextosOnline/EnciclopediaOIT/tomo4/sumario.pdf.

La Revista Guillermo de Ockham brinda un acceso inmediato y abierto a su contenido, basado en el principio de ofrecer al público un acceso gratuito a las investigaciones para brindar un intercambio global de conocimiento.
A menos que se establezca lo contrario, el contenido de esta revista tiene una licencia con Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International (CC BY-NC-ND 4.0) http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/

  • Atribución: debe otorgar el crédito correspondiente, proporcionar un enlace a la licencia e indicar si se realizaron cambios. Puede hacerlo de cualquier manera razonable, pero no de ninguna manera que sugiera que el licenciante lo respalda a usted o su uso.
  • No comercial: no puede utilizar el material con fines comerciales.
  • Sin derivados: si remezcla, transforma o construye sobre el material, no puede distribuir el material modificado.
  • Sin restricciones adicionales: no puede aplicar términos legales o medidas tecnológicas que restrinjan legalmente a otros de hacer cualquier cosa que permita la licencia.

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.